A alguns anos atrás, antes da era do computador pessoal, muitas pessoas tinham como hobby ler revistas de eletrônica, executando os projetos apresentados nas suas edições. Com isso, estavam aprendendo um pouco mais daquela nova ciência que passava a ser acessível para a grande maioria da população. A cada edição aparecia um novo desafio, um novo projeto e com o passar dos meses seu conhecimento era enriquecido. Diversos engenheiros tomaram gosto pela eletrônica desta maneira.
A montagem dos projetos e leitura dos artigos técnicos iam sedimentando os conhecimentos do entusiasta. Como todo este estudo era gerado simplesmente pela curiosidade e pelo gosto pessoal do leitor, sem obrigações, datas limites e provas, o aficcionado dedicava-se como um esportista, que ama seu esporte e dá o máximo de si, seja para bater recordes ou simplesmente para sua satisfação pessoal.
Ultimamente não temos mais este apelo. As revistas de eletrônica são relegadas ao fundo das prateleiras e os antigos projetos de rádios não despertam mais a curiosidade. Afinal, quem iria mexer em um rádio se era mais fácil (e barato) comprá-lo pronto? E além do mais, os novos equipamentos vinham com componentes tão pequenos que o velho ferro de solda não mais servia para o trabalho. O próprio conserto de equipamentos eletrônicos tem seus dias contados; é mais fácil, rápido e barato comprar um novo.
Hoje em dia as revistas de informática tomaram o lugar de suas saudosas tias mais velhas. Agora a diversão está presente na descoberta de programas, interfaces, na construção de um novo mundo virtual. E aquele hobbista, o que faz agora? Lembre-se, ele não se contentava em simplesmente comprar um rádio e ir escutar em casa; ele montava o seu próprio, muitas vezes muito mais potente que o de seu vizinho. Atualmente tem-se sistemas como o Linux que suprem esta necessidade de descoberta e aprendizagem que as velhas revistas de eletrônica proporcionavam aos nossos pais. E a cada edição da Revista do Linux descobrimos mais e mais coisas que nosso sistema pode fazer. E está tudo ali: os códigos-fonte, os exemplos e a documentação. Tudo a seu alcance, baste ter vontade de aprender, arregaçar as mangas e botar a cabeça para funcionar. A recompensa é o domínio do sistema que é uma das espinhas dorsais da maior rede de conhecimentos que o homem já teve notícias, a Internet.
Enquanto isso, uma conhecidíssima publicação nacional traz uma matéria de capa para ensinar ao seu leitor o que fazer quando o computador "dá pau". Felizmente nossos leitores estão aqui para aprender a ser mais produtivos com o sistema que escolheram, não para ficar perdendo horas arrumando problemas...
Boa leitura!
Rodrigo Stulzer