Na edição de número 29, a matéria de capa ensinava como montar uma rádio na Internet. Naquele editorial escrevi: "Quem sabe no mês que vem eu possa dar a notícia que esta rádio acabou de entrar no ar?"
Pois bem, recebemos um email do leitor Egmar anunciando que havia seguido as instruções da revista. Ele configurou uma rádio e ela está no ar no endereço http://www.avozdapaz.com.br. Pelo seu email este é um de seus primeiros contatos com o Linux e já conseguiu algo produtivo para a sua comunidade.
Em outro trecho Egmar exemplifica uma das grandes filosofias do Software Livre, dizendo que "ainda temos que fazer alguns ajustes e aprimorar a rádio, mas o que importa é que ela está no ar e funcionando."
Este refinamento sucessivo é um dos pilares do próprio desenvolvimento do Linux. Temos códigos dentro do sistema que não são um primor de qualidade, mas que funcionam. A medida que este código (por exemplo, uma rotina para ler dados de um banco de dados) é cada vez mais exigido, diversas pessoas começam a modificá-lo e até mesmo fornecem novas versões, mais robustas, rápidas e livre de erros.
Esta mutação de código é muito semelhante à própria Teoria da Evolução, de Darwin, onde os seres que conseguem se adaptar mais rapidamente ao meio ambiente são os que sobrevivem e que passam seus genes para as gerações futuras.
O Linux começou como um pequeno programa emulador de terminal para acesso à faculdade, cresceu junto com a Internet e agora está começando a sair da adolescência. Já não é mais aquela brincadeira de criança e recebe o respeito, seja de grandes aliados, como a IBM e Sun, seja de eternos rivais como a própria Microsoft. Não é a toa que a Microsoft esteve presente na Linux World, realizada no mês passado, em San Francisco.
E a poucos dias atrás todas as buscas pela palavra "Linux", no Google, trazem como primeiro resultado um link patrocinado pela IBM. O título é bem sugestivo: "E-business é o jogo. Entre para ganhar." E você, acha que a IBM está apostando no Linux para perder?
Boa Leitura,
Rodrigo Stulzer