Babalu, a nossa Princesa, Partiu

Nesta última sexta a nossa querida Babalu nos deixou; foi levar a sua delicadeza para outros mundos.

Tanto eu quanto a Bel já tivemos vários cachorros, mas com a Babalu sempre foi diferente. Não sei se porque já éramos adultos, mas ela preencheu as nossas vidas com a bondade e carinho que só um amigo de pêlos pode proporcionar.

Ela veio para nossa casa quando tinha uns três meses de idade. Simpática desde o começo, fazia as traquinagens típicas de um filhote. Nos apaixonamos de cara! O nome, Babalu, foi a Bebel que deu, pois ela não desgrudava em nenhum momento, era literalmente um chicletinho. No início morávamos em um apartamento e a Bebel a levava todos os dias para a clínica. Estavam sempre juntas.

Depois nos mudamos e ela ganhou uma casinha no fundo do quintal. Ainda lembro dos seus latidos de desespero quando pegamos nossa primeira tempestade por lá. Era de noite, ficou em pânico e não conseguia tranquilizá-la. Bebel, sempre com tato e carinho, foi na chuva até a casinha e ficaram lá as duas, quietinhas, olhando a água cair, até a Babalu se acalmar.

Ela era uma grande companheira, mas nem sempre podíamos estar sempre com ela; tínhamos pena dela passar longos períodos sozinha. Foi então que trouxemos o Bumer.

Enquanto a Babalu era delicada o Bumer era estabanado. Enquanto ela cativava as pessoas por ficar quietinha ao lado, o Bumer era tão carente que chegava a importunar. Mas mesmo diferentes, os dois se completavam. Brincavam muito e ficaram grudados por todos os anos em que viveram juntos. Era muito bonito vê-los se divertindo e rolando pelo quintal, feito duas crianças!

Os anos passaram e a Babalu ficou cada vez mais sociável. Na vizinhança e na escola de nosso filho era adorada por todas as crianças. A partir de uma época a Bebel começou a levá-la em eventos onde ensinava sobre a importância de saúde bucal.  O público adorava aquela cachorrinha educada e alegre, que quando chamada levantava  rapidamente balançando o rabo e ia escovar os dentes. A Babalu ajudou a Bebel em todos estes anos, abrilhantando aulas e palestras, até um mês atrás, quando já estava velhinha e surda. Mesmo assim, encantou a todos, como sempre.

Babalu também era ótima nadadora. Seguindo a tradição dos Goldens Retrievers, ela adorava uma água. E melhor ainda se tivesse um desafio, como uma bolinha ou pedaço de pau jogados no meio de um lago. Lá ela corria, se jogava na água e nadava até pegar o prêmio. Voltava muito obediente e parava sentada ao nosso lado, pronta para ir buscar o próximo arremesso. Assim aproveitamos com ela muitas caminhadas ao longo de rios, com direito a piqueniques e amigos.

Sempre brincávamos que um dia ela iria quebrar aquele rabo e a coluna, por se contorcer de tanta felicidade quando chegávamos em casa. Aprendemos  também  a fazer uma festa para ela, pois víamos que era uma alegria muito espontânea e natural. Até nos seus últimos dias, quando ficava sempre deitada na sua caminha, fazíamos festa para ela e coçávamos a sua cabeça.

Foi uma ótima mãe, teve 2 gestações (a primeira ela mesmo escolheu um companheiro… era um cara do litoral, nativo de Guaratuba, rssss). Depois se encantou por um Golden bonitão, e teve 9 filhotes. Talvez por ser tão dedicada e  ter de cuidar de tantos, começou a vomitar sangue e perder muito peso. Não sabíamos o que estava acontecendo e achamos que iríamos perdê-la. Foi internada num hospital e lá ficou vários dias recebendo alimentação parenteral. Um dia a Bebel chegou em casa e me pegou na cozinha, rodeado de filhotes e chorando. Eu estava muito triste  com a possível perda da Babalu e também por aquelas criaturinhas lindas que ficariam órfãs.

Como última tentativa a Bebel resolveu fazer uma cirurgia, abrindo a barriga dela para ver se encontrava alguma coisa. Acharam uma baita  úlcera supurada que estava causando todo aquele problema. Demorou algumas semanas, mas logo em seguida ela começou a ganhar peso e voltou para casa. Ufa, tínhamos a Babalu de volta! Aprendemos a não desistir, a manter a esperança sempre.

Não lembro quando ocorreu, mas acabamos descobrindo que a Babalu estava com câncer, provavelmente por causa dos nódulos que começaram a aparecer nas suas mamas. Não tinha muito o que fazer, e decidimos dar a melhor vida que poderíamos para ela no tempo de vida que lhe restasse. Passaram-se uns bons anos até que outros nódulos começassem a realmente incomodar. 

Nessa fase, perdemos o Bumer, também com quase 14 anos. Ela passou a receber todo o nosso carinho, mas sentiu muito a falta de seu companheiro.

Percebemos que ela estava surda (ou quase). Só atendia o nosso chamado se nos visse. Se estivesse de costas, só as palmas funcionavam. Mesmo assim não perdeu a sua alegria. Sempre que via alguém da família, fazia a maior festa.

Nos últimos dias vimos a doença progredir rapidamente.

Passava agora a maior parte do tempo deitada e dormindo na sua caminha, com a carinha toda branca. Estava livre para realizar todas as suas vontades, comer o que quisesse.

Já havíamos tomado a decisão que enquanto seus momentos bons fossem melhores que os ruins, manteríamos ela da melhor forma possível. Achávamos que ela iria passar o fim do ano com gente, mas  sua condição piorou muito. Andava com dificuldade e  não levantava mais.

Levamos ela para a chácara e mesmo não estando preparados, resolvemos que não era justo com ela mantê-la daquele jeito. Por amor, e com muitoooo amor, a colocamos em sua caminha, e, entre muitos afagos, a fizemos dormir, sem dor, em paz.

Levamos ela até o cemitério dos cachorros e a colocamos exatamente ao lado do Bumer, como sempre faziam quando corriam e brincavam aqui em casa. O pai da Bebel fez uma plaquinha, escrevendo os “B”s do seu nome em formato de coração e colocando o ano do nascimento e da sua passagem. Bebel complementou escrevendo uma dedicatória para ela e nos despedimos.

Lembramos o quanto ela era altiva, elegante e carinhosa; uma verdadeira lady. Não daquelas esnobes que vemos em filmes, mas sim daquelas que nos cativam e nos fazem querer estar perto, agradando. Ela nos pegou pelo seu jeito meigo de ser, nunca exigindo nada, somente ficando ao nosso lado e mostrando a sua lealdade e amor.

Babalu, você deixou uma grande marca nas nossas vidas, mostrando como é possível receber amor sem querer nada em troca. Agradecemos imensamente termos vivido ao seu lado durante todos estes anos, e esperamos encontrá-la correndo nos bosques, quando também formos para outras paragens.

Te amamos, sempre!

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